Nos anos 60 e 70, os hippies ouviam rock, prestavam atenção à política e protestavam contra a guerra. Hoje, embora as guerras continuem, o mundo é outro, menos politizado e, ao que tudo indica, mais individualista.
No entanto, 40 anos depois, o jornalista Tomás Chiaverini, autor do livro "Festa Infinita - O Entorpecente Mundo das Raves", vê pelo menos um ponto de contato entre as duas épocas: a busca pela liberdade que movia os hippies no Festival de Woodstock é semelhante ao que movimenta os frequentadores de uma rave. "As pessoas querem liberdade. Talvez a mesma que os hippies buscavam nos anos 60 e 70", defendeu Chiaverini em entrevista ao jornal A GAZETA.
Mas será que quem viu de perto a Era de Aquário concorda com ele? Woodstock pode ser considerado o avô das raves?

Foto: Rodrigo Rezende
Em 1969, jovens hippies sem recurso produziram o maior festival de música da história. Woodstock trouxe o lema dos três dias de paz e música, que, hoje, ainda influenciam e ditam tendências para a juventude.
Nas raves, regadas a música eletrônica, jovens também celebram a vida, a liberdade e o som acompanhados de drogas lícitas e ilícitas. Além disso, esses eventos são realizados em locais distantes da cidade, normalmente, em sítios ou clubes.
O produtor musical Sérgio Benevenuto defende que o que aconteceu em Woodstock pode ser analisado por três perspectivas: o comportamental, o político e o musical. No entanto, pensa que o festival de rock não tem nenhuma ligação com as raves contemporâneas, a ideologia defendida era outra, o espírito do jovem era distinto. "Estamos vivendo uma sociedade consumista. Eles mandam, a gente compra. O momento foi diferente, naquela época, de 66 a 75, foi construído um prédio que nunca será demolido", disse Benevenuto, fazendo uma alusão às referências deixadas pela esfera cultural vivida durante o Woodstock.
Já o produtor cultural e cineasta João Moraes acredita que, na medida em que as festas rave deixaram de acontecer em um dia só para serem realizadas em três, dez dias, como um universo paralelo, passaram a tentar se significar dentro de um link entre este novo movimento com o Woodstock. "A rave não é só lugar para usuário de droga, ela mostra a cara do que está acontecendo atualmente. É um eterno anacronismo da sociedade atual, o hoje acontece com muita pressa. Outro ponto em comum é que o mundo continua se roendo, em guerras, como acontecia no passado".

Foto: Rodrigo Rezende
João ainda analisa que, ao ponto que uma rave reúne pessoas para dizer que elas estão aqui e que são a cara do que está acontecendo, este é um sinal de alerta para vivermos em paz e estarmos juntos para mudar a realidade.
O mundo mudou desde 1969, mas alguns problemas continuam - vide as guerras. A cena das raves, hoje, tem alguma influência com os festivais passados? Drogas, sexo livre... rock ou música eletrônica tem uma ligação nesta linha temporal? As raves atuais podem representar um ideal de liberdade. Um violeiro trovador chamado Bob Dylan já disse: "A resposta, meu amigo, está soprando no vento. A resposta está soprando no vento. (The answer, my friend, is blowin' in the wind. The answer is blowin' in the wind)". Comente, participe do fórum.
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